Você, gestor industrial, sabe que produtividade e eficiência são dois pilares essenciais para o bom desempenho dos Você, gestor de manutenção, conhece bem o peso dessa responsabilidade: em um negócio recente, onde o fluxo de caixa não permite erros, a quebra inesperada de uma máquina crítica não é apenas um problema técnico — é um risco financeiro.
Sabemos que a manutenção corretiva custa, em média, três a quatro vezes mais do que a preventiva. Mas como saber exatamente onde atuar antes que a falha aconteça?
A resposta não está na intuição, mas nos dados. Além da eficiência isolada dos processos, é vital monitorar a eficácia real do seu chão de fábrica. É nesse cenário que o Overall Equipment Effectiveness (OEE) se torna seu maior aliado. Ele não é apenas uma métrica de vaidade; é o termômetro que indica se o seu maquinário está gerando lucro ou consumindo recursos silenciosamente.
Se você busca economizar e proteger o capital da empresa através de uma gestão inteligente, este guia é para você. Vamos dissecar a melhor maneira de calcular, estruturar e, futuramente, automatizar esse indicador vital.
O Que é Overall Equipment Effectiveness e Sua Relevância Global
Para dominar o chão de fábrica, precisamos primeiro dominar a linguagem da eficiência mundial. O termo pode parecer complexo, mas o conceito é a base da sobrevivência industrial moderna.

O Overall Equipment Effectiveness, traduzido como Eficiência Global do Equipamento, é o padrão ouro da indústria mundial para medir a produtividade de manufatura.
Imagine que você comprou uma Ferrari (sua máquina), mas só pode dirigi-la em estradas de terra (falta de disponibilidade), a 20 km/h (baixa performance) e com o porta-malas aberto derrubando a bagagem (baixa qualidade). O OEE é o cálculo que te diz o quanto você está aproveitando do potencial real do ativo que a empresa comprou.
Para um gestor que precisa justificar investimentos e cortar custos, dominar o OEE é obrigatório. Ele revela as perdas ocultas. Muitas vezes, acreditamos que uma máquina é produtiva porque ela está “ligada” o dia todo. O OEE vem para quebrar essa ilusão e mostrar a realidade nua e crua dos números.
Agora, para calcular esse índice corretamente, precisamos entender que ele é o produto de três fatores inegociáveis. Vamos conhecê-los a seguir.
Os Três Pilares Essenciais: Disponibilidade, Performance e Qualidade
O erro mais comum ao tentar implementar o OEE na indústria é olhar apenas para a produção final. O cálculo correto exige uma visão tridimensional. O Overall Equipment Effectiveness é composto por três pilares que, quando multiplicados, revelam a saúde da sua operação.
1. Disponibilidade: A máquina operou quando deveria?
Este pilar combate as perdas por tempo parado. A disponibilidade responde à pergunta: “Do tempo que planejamos rodar, quanto tempo a máquina realmente rodou?”.
Aqui, seus inimigos são as Paradas Não Planejadas (quebras, falhas de equipamento, falta de operador) e as Paradas de Setup/Ajustes (tempo excessivo trocando ferramentas). Se sua máquina deveria trabalhar 8 horas, mas ficou 2 horas parada por manutenção corretiva, sua disponibilidade despenca — e seu custo sobe.
2. Performance (desempenho): A velocidade está correta?
Talvez o pilar mais negligenciado. A máquina está rodando, sim, mas está na velocidade ideal?
A performance mede a eficiência do ciclo. Se o fabricante diz que a máquina faz 100 peças por hora, mas ela está fazendo 80, você tem uma perda de 20%. As causas geralmente são as Microparadas (aquelas travadinhas de 1 minuto que ninguém anota) e a Velocidade Reduzida (operar mais devagar para evitar erros ou por desgaste de peças).
3. Qualidade: O produto saiu bom de primeira?
Não adianta produzir rápido se o produto vai para o lixo. O índice de qualidade compara o total produzido com o total de peças boas.
Aqui entram as perdas por Refugo (peças defeituosas descartadas) e Retrabalho (peças que precisam voltar para a linha). Lembre-se: retrabalho é custo duplo de energia e mão de obra para vender o mesmo produto.

Com esses conceitos claros, podemos avançar para a matemática da coisa. Prepare sua calculadora (ou sua planilha), pois vamos ao passo a passo no próximo tópico.
Como Calcular o OEE Passo a Passo na Sua Indústria
A teoria é linda, mas o chão de fábrica pede prática. A fórmula geral do Overall Equipment Effectiveness é simples:
OEE = Disponibilidade % ✕ Performance % ✕ Qualidade %
Vamos aplicar isso em um estudo de caso fictício para que você, gestor, possa replicar em suas máquinas amanhã mesmo. Imagine uma prensa no seu turno de trabalho.
Dados coletados:
- Tempo Total do Turno: 480 minutos (8 horas).
- Paradas Planejadas (Almoço/Ginástica): 60 minutos.
- Tempo Programado para Produzir: 420 minutos.
- Paradas Não Planejadas (Quebra): 40 minutos.
- Produção Teórica (Capacidade Máxima no tempo rodado): 1000 peças.
- Produção Real Total: 800 peças.
- Peças Boas: 760 peças.
- Refugo: 40 peças.
O cálculo:
- Cálculo da Disponibilidade:
Tempo Produzindo = 420 – 40 = 380 minutos.
Disponibilidade = 380/420 = 90,4%. - Cálculo da Performance:
A máquina deveria fazer 1000, mas fez 800.
Performance = 800/1000 = 80,0%. - Cálculo da Qualidade:
Das 800 feitas, 760 eram boas.
Qualidade = 760/800 = 95,0%. - OEE Final:
0,904 ✕ 0,800 ✕ 0,950 = 68,7%.
Perceba: embora os indicadores individuais pareçam “ok” (acima de 80%), o OEE real é de apenas 68,7%. Isso significa que quase um terço da capacidade do seu investimento está sendo desperdiçado.
Agora que você sabe a matemática, precisa de um lugar para anotar isso. Vamos ver como estruturar essa ferramenta manualmente.
Montando a Planilha OEE: O Guia de Estrutura
Para quem está começando e precisa economizar, a planilha é o primeiro passo para a cultura de dados. No entanto, ela precisa ser construída com lógica para não virar uma bagunça de números.
Para criar uma tabela funcional de OEE, sua planilha deve ter abas separadas para “Input de Dados” (onde o operador ou líder digita) e “Dashboard” (onde você visualiza).
Nas colunas de entrada, os campos obrigatórios são:
- Data e Turno: Rastreabilidade básica.
- Código da Máquina: Para filtrar depois.
- Hora Início e Hora Fim da Parada: Crucial para calcular a disponibilidade.
- Motivo da Parada: Crie uma lista suspensa (Data Validation) com motivos padronizados (ex: “Falta de Material”, “Quebra Mecânica”, “Ajuste”). Isso evita que cada operador escreva de um jeito.
- Contagem de Produção: Campo para inserir o total produzido e o total de refugo.
Essa estrutura básica permite que as fórmulas que vimos acima puxem os dados automaticamente. Mas números em linhas não contam histórias. Você precisa transformar isso em gestão visual.
Como Fazer KPI no Excel para Apresentar à Diretoria
Você precisa convencer os sócios ou a diretoria a investir em uma peça nova ou em treinamento? Mostre gráficos, não tabelas. O Excel é uma ferramenta poderosa para criar KPIs (Key Performance Indicators) visuais a partir dos dados do seu Overall Equipment Effectiveness.
Ao montar seu relatório, foque em dois tipos de gráficos essenciais:
- Gráfico de Pareto (Regra 80/20): Use para os “Motivos de Parada”. Ele vai mostrar que 80% do seu tempo parado vem de 20% das causas (geralmente setup ou uma quebra recorrente). Isso direciona sua equipe de manutenção para o problema certo.
- Gráfico de Linha (Tendência): Plote o OEE dia a dia. A linha está subindo ou descendo? Isso mostra se suas ações de melhoria estão funcionando.
Atenção à formatação condicional: configure as células para ficarem vermelhas se o OEE cair abaixo da meta (geralmente 85% para classe mundial, ou sua meta interna). Isso cria um alerta visual imediato.
Construir tudo isso do zero dá trabalho, certo? Hoje em dia, a tecnologia pode dar um “empurrãozinho” inicial.
Qual IA Faz Planilhas Grátis? Usando a Tecnologia a Seu Favor
Se você não é um expert em Excel, a Inteligência Artificial pode acelerar a criação da estrutura da sua planilha OEE. Ferramentas como ChatGPT, Claude ou Microsoft Copilot podem gerar fórmulas complexas para você.

Você pode usar prompts como: “Crie uma fórmula de Excel para calcular a disponibilidade considerando que a célula A1 é o tempo programado e B1 é o tempo de parada”. A IA entregará a lógica pronta, economizando horas de quebra-cabeça.
Porém, um alerta vital: A IA cria a estrutura, mas não valida a realidade do seu chão de fábrica. Ela não sabe que o operador esqueceu de anotar a parada das 10h da manhã ou que “ajuste de máquina” está sendo usado como desculpa para pausas não autorizadas. A ferramenta é digital, mas o input ainda é humano e falho.
E é aqui que mora o perigo para o gestor que busca segurança financeira.
Os Limites da Planilha Manual e o Risco ao Caixa
Chegamos ao ponto crítico. Embora a planilha seja a “escola” do OEE, ela é perigosa para a gestão de longo prazo, especialmente em empresas com orçamento apertado onde cada centavo conta.
O problema da planilha não é a matemática, é a integridade do dado. O cálculo de Overall Equipment Effectiveness depende 100% da precisão do apontamento. Se o operador arredonda os horários, esquece de anotar microparadas ou preenche o relatório apenas no final do turno (confiando na memória), seu OEE será mentiroso. Você terá um gráfico bonito dizendo que a eficiência é de 85%, quando na verdade é de 60%.
Esse “ponto cego” leva a decisões erradas. Você deixa de fazer manutenção preventiva achando que a máquina está bem, até que ela quebra catastroficamente, parando a produção por dias e gerando um custo de reparo emergencial que o caixa da empresa não estava esperando.
A evolução natural para garantir a segurança dos dados é a automação. Softwares de gestão industrial, como o SGPlan, eliminam o fator “erro humano” na coleta. Eles capturam os sinais da máquina em tempo real. Se a máquina parou, o software registra. Se a velocidade caiu, o software aponta.
Qual o Jeito Certo de Monitorar o Overall Equipment Effectiveness da sua Indústria?
Monitorar o Overall Equipment Effectiveness é a diferença entre “achar” que a fábrica vai bem e “saber” exatamente onde atuar para lucrar mais. Para você, gestor, iniciar com uma planilha bem estruturada é um excelente exercício de aprendizado e disciplina.

No entanto, não perca de vista que a planilha é um meio, não o fim. O objetivo é a confiabilidade total. Em um cenário onde a economia de recursos é lei, garantir que seus dados de OEE sejam precisos é a melhor forma de proteger o patrimônio da empresa, transformando a manutenção de um centro de custos em um pilar estratégico de lucratividade.
Não Corra o Risco de Erros Manuais, Automatize com o SGPlan
Fale com o SGPlan e automatize seus indicadores de manutenção para garantir a economia que sua empresa precisa. Tenha dados reais, em tempo real, e tome decisões que protegem o caixa do seu negócio.
Dúvidas Frequentes
OEE é o indicador que mede a eficiência real de um equipamento, considerando disponibilidade, performance e qualidade.
Multiplicando disponibilidade, performance e qualidade, sempre com dados reais do tempo, produção e refugo.
Acima de 85% é considerado classe mundial, mas cada indústria deve definir metas realistas.
É útil para começar, mas depende totalmente da qualidade do apontamento manual.
Microparadas não registradas, horários arredondados e preenchimento por memória.
Sim. Ele revela perdas ocultas que elevam manutenção corretiva e desperdício produtivo.
Produtividade olha volume; OEE mostra eficiência real do equipamento em operação.
Última atualização em 28 de January de 2026

